Jornalistas&Cia 1443

Edição 1.443 página 9 100 ANOS DE RÁDIO NO BRASIL Por Álvaro Bufarah (*) (*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo. O grande radialista Hélio Ribeiro dizia que “o rádio tem o poder de transferir o arrepio”. Curiosamente, faço parte de uma geração que aprendeu a fazer rádio primeiro e depois foi estudar o meio. Por isso, éramos atentos às ações dos mais velhos, pois só os profissionais com muita experiência conseguiam levar o arrepio para o outro lado do microfone. Grandes ideias nasciam da necessidade de inovar e resolver problemas cotidianos, mas sem pesquisas, métricas e soluções de Inteligência Artificial. Quando vejo novos programas, ferramentas de áudio, projetos de IA que narram textos, enfim, fico assustado e feliz ao ver o meio se reinventando mais uma vez. A AdsWizz, plataforma criada em 2008, que atua como um hub de publicidade em áudio em escala mundial, lançou recentemente uma ferramenta diferenciada: o Mood Targeting, primeiro de uma série de recursos de segmentação contextual programados para serem lançados ao longo de 2024. Esta atualização promete impactar positivamente anunciantes, agências e editores, elevando o tom de suas campanhas. O recurso permite que as marcas se conectem de maneira mais eficaz com seu público, atingindo-o enquanto desfruta de músicas que combinam com o clima do momento da audição. Ou seja, o sistema entende a sequência de músicas que o ouvinte está acompanhando e busca identificar o perfil do “humor” dessa playlist. Com isso, é feita uma análise e é inserido um anúncio especialmente encaixado no contexto do “estado de espírito” do usuário. Desta forma, não há quebra de clima como aquelas em que estamos ouvindo uma lista de músicas legais e entra uma voz estranha com um tema maluco e um produto sem sentido. A empresa afirma que entre as vantagens do uso da ferramenta estão: • Maior relevância: adaptação da mensagem ao contexto, tornando a campanha mais eficiente. • Amplo alcance: acesso à biblioteca AdsWizz, com mais de 60 milhões de músicas categorizadas em nove segmentos de humor, para se conectar com o público segmentado. • Relatórios detalhados: avaliação do desempenho da campanha com base nos segmentos de humor, tomando decisões mais seguras. • Segmentação preparada para o futuro: alcance do público-alvo ideal usando sinais que respeitam a privacidade dos usuários. Ainda segundo a empresa, o processo começa com um algoritmo de aprendizado de máquina que analisa minuciosamente diversos elementos de cada música, incluindo harmonia, ritmo, som, entre outros, para determinar a presença ou ausência de estados de espíO arrepio do áudio rito específicos. Posteriormente, uma equipe dedicada de analistas musicais valida as categorizações automatizadas, refinando ainda mais as associações feitas pelo algoritmo. Apenas as músicas que recebem pelo menos uma atribuição de humor, seja por meio do processo automatizado ou conduzido por humanos, são incorporadas aos recursos do AdsWizz Mood Targeting. Isso permite que as músicas atribuídas tenham o clima mais preciso, criando uma experiência publicitária única e envolvente para as marcas. O algoritmo e a equipe de analistas usam uma lista com os seguintes segmentos de humor: angústia, tranquilidade, energético, focado, feliz, calmante, amoroso, comemorativo e relaxado. Não nego, que esses dados são fundamentais para entendermos melhor os ouvintes e prepararmos produtos cada vez mais eficientes, mas temo pela falta de criatividade dos produtores, músicos, radialistas e jornalistas em meio a tantas soluções rápidas e até fáceis... Posso parecer saudosista, mas muitas vezes gostaria de ouvir mais a intuição dos profissionais do que as fórmulas prontas das planilhas de BI. Sem isso, fica difícil transmitir o arrepio, já que a voz sintetizada, por melhor que seja, não sente, apenas imita o sentimento. Talvez venhamos a descobrir que a grande inovação é fazer a produção entendendo os caminhos indicados pelos algoritmos, mas pensados por pessoas que sentem e trabalham para pessoas... P.S.: como estou falando sobre o excesso de tecnologia e da pouca criatividade nas emissoras, fiz a ilustração de locutores que ilustra este texto em um programa de IA generativa para criação de imagens; por isso, o crédito vai para a máquina, já que só dei algumas ideias, o resto ela fez: https:// dreamlike.art/. (AB) Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link. AdsWizz

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