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16 Ficamos muito curiosos em relação às respostas dos políticos. Muitos deles foram ríspidos ou não responderam, enquanto alguns disseram “nossa, que cara safado esse meu parente”, porque é exatamente isso, a pessoa não tem culpa de ser parente de determinado indivíduo. Mas acho que o mais interessante do projeto é mostrar como o poder no Brasil se mantém nos mesmos grupos, como é algo hereditário. Recentemente, fiz uma reportagem para o projeto sobre Gertrudes de Jesus, uma mulher negra que estava escravizada e conseguiu liberdade e se tornou uma das agentes mais importantes do Clube do Cupim, um clube abolicionista em Recife. E ela ajudava a realizar fugas, com barcos, pelo rio Capibaribe, durante a noite, uma coisa meio filme noir, meio misteriosa. Então, é muito legal, durante o trabalho, ir conhecendo melhor a história do Brasil, descobrir e escrever sobre essas pessoas que foram apagadas pela historiografia oficial, que não são citadas. Muito desafiador trabalhar com pesquisa, é algo que também levarei com carinho na minha carreira, e que bom que deu certo no final. Sobre o Clima das Eleições, que foi um projeto colaborativo com outras publicações, eu assinei uma reportagem, coordenei outras e contribuí com uma ou duas reportagens quando viajei ao Recife. Foi um projeto muito importante e pioneiro, pois discutimos eleições no Brasil com esse olhar da emergência climática, assunto que é muito importante pautar. J&Cia/PJ – Como você vê o jornalismo independente nos dias de hoje? Qual a importância dele para a imprensa e como podemos apoiá-lo cada vez mais? Mariama – Eu decidi ir para o jornalismo independente porque entendia a importância de fazer uma apuração sem amarras com grupos políticos, empresariais ou com interesses privados. Acho que é um privilégio muito grande a gente ter essa liberdade editorial, algo que todo jornalista almeja, mas que nem sempre encontra nas grandes redações. Acho que o jornalismo independente cumpriu uma função muito importante na história recente do Brasil, especialmente no caso do Intercept, que com a Vaza Jato trouxe informações que mudaram realmente o curso das últimas eleições presidenciais e, consequentemente, da história. Tivemos muitos exemplos de coberturas que nasceram no jornalismo independente e que tiveram impacto na sociedade. É um jornalismo que tem comprometimento com o interesse público, em primeiro lugar, com a defesa dos direitos humanos e não está a serviço da defesa de interesses privados ou de grupos partidários. Outro ponto importante a se destacar é a transparência. Na Pública, por exemplo, fazemos um jornalismo que é posicionado politicamente, mas não é partidário, não é panfletário. Então, acho que é muito importante esse posicionamento, essa clareza, essa transparência também para o leitor, porque tudo isso está dito lá no site da Pública, de forma clara. Em muitos grandes grupos de mídia, essa questão não está clara, a chamada imparcialidade é muito subjetiva. Existem escolhas no jornalismo, e quando optamos por publicar ou não publicar determinada matéria, estamos indiretamente escolhendo um lado, ou seja, é tudo muito subjetivo. E eu sou muito orgulhosa de ter feito essa escolha de carreira há alguns anos. Mas acredito que o ENTREVISTA: MARIAMA CORREIA

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