14 E eu fui, mas fiquei com certo receio, pois já tinha alguns anos de assessoria de imprensa e era um tiro no escuro, fiquei preocupada de tudo dar errado, de eu não dar conta. Mas a equipe era sensacional, muito atenciosa. Os repórteres e editores me ensinaram muito. Então, fui desabrochando, desenrolando, até desenvolver uma paixão por fazer reportagem, ir aos lugares, escutar as pessoas, viajar pelo País. Eu gostava muito de viajar pelo sertão de Pernambuco para fazer reportagem, ir a comunidades tradicionais, ouvir trabalhadores. J&Cia/PJ – E a sua passagem pelo Marco Zero Conteúdo? Como foi essa mudança para o jornalismo independente? Mariama – Trabalhei por quase quatro anos na Folha de Pernambuco. Durante esse período, percebi também uma grande ascensão do jornalismo independente. Já acompanhava a Pública, o Intercept e outros veículos, e foi então que conheci o Marco Zero Conteúdo, um coletivo de jornalismo independente de Pernambuco, e decidi me candidatar como repórter lá. Foi outro tiro no escuro, mas também deu supercerto, aprendi muitas coisas, principalmente no sentido pensar reportagens com abordagens diferentes, que saíssem do “automático” do dia a dia das redações, onde você precisa pensar rápido o que você fazer ali na hora. No Marco Zero, tive a oportunidade de fazer reportagens aprofundadas, ouvir pessoas que não tinham voz, tentar inverter lógicas em diversos assuntos. Foi um exercício jornalístico essencial para a minha carreira. E, a partir do Marco Zero, ampliei o meu conhecimento desse ecossistema de jornalismo independente, fui entendendo como funciona, como ele é importante, como ele desenvolve. E como eu tinha mais flexibilidade lá, consegui começar a fazer alguns frilas para outros veículos, por exemplo, o Intercept, a própria Pública, com o projeto Colabora. Foi esse trabalho que me abriu as portas para mais tarde mudar para São Paulo. J&Cia/PJ – Quais foram os principais desafios dessa mudança de ares? Mariama – Foi um período extremamente difícil. Na época, havia acabado de acontecer aquele caso de derramamento de óleo no Nordeste, em 2019, um crime terrível que até hoje não foi explicado, ficamos sem respostas. E aí surgiu uma vaga para repórter na Pública, me candidatei e deu certo. A ideia era eu chegar a São Paulo em abril de 2020. Já estava Mariama durante reportagem feita para o Marco Zero Conteúdo na Guatemala e em El Salvador, em 2018 Arquivo pessoal ENTREVISTA: MARIAMA CORREIA
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