13 Awards, em Grandes Projetos & Colaborações. Três grandes reportagens bem distintas e com características únicas, mas que tinham todas um denominador comum: a presença de Mariama Correia trabalhando arduamente nas investigações. Especializada em jornalismo investigativo, autora de reportagens de fôlego, Mariama é natural de Olinda, em Pernambuco, e iniciou a carreira sob a influência de seu pai, que era escritor. Ao ingressar na faculdade de jornalismo, acreditava que iria trabalhar com cultura e música, mas o início veio em assessoria de imprensa. Seu primeiro trabalho em redações foi na Folha de Pernambuco, como repórter de Economia. Depois de três anos e meio na publicação, migrou para o jornalismo independente e assinou em 2017 com o Marco Zero Conteúdo. No ano seguinte, passou a atuar paralelamente como pesquisadora para o Nordeste do Atlas da Notícia, iniciativa do Projor/ Observatório da Imprensa que visa a mapear e combater os desertos de notícias do Brasil. Em meio a alguns frilas que fazia para a própria Pública e outros veículos, como o Intercept Brasil, Mariama recebeu, em 2020, um convite da agência para atuar como repórter e mudar-se para São Paulo. Com a chegada da pandemia de Covid-19, passou por complicações em um período descrito por ela como “muito difícil e estressante”, quando inclusive chegou a trabalhar levantando dados sobre os mortos pelo coronavírus. A partir de 2021, já estabelecida e adaptada à nova realidade na capital paulista, passou a comandar importantes investigações pela publicação. Nesta entrevista, Mariama fala sobre sua carreira, o trabalho na Pública, as dificuldades da mudança para São Paulo, e temas que considera como suas principais bandeiras atualmente: a importância do jornalismo como trabalho coletivo e a necessidade de sua descentralização. A editora da Pública fala ainda sobre desertos de notícias, a importância de ter sido eleita a +Premiada jornalista de 2025 e como enxerga as próximas gerações de profissionais de imprensa. Jornalistas&Cia/Portal dos Jornalistas – Por que você escolheu fazer jornalismo? Mariama Correia – Escolhi jornalismo ainda muito jovem. Desde muito cedo eu gostava de escrever. Meu pai é escritor e ele me estimulou muito nessa área. Cresci participando das revisões dos textos dele, nesse ambiente de literatura, escrita e leitura. Ele não é jornalista, é autodidata, estudou só até o ginásio, mas chegou a trabalhar como revisor na Folha de S.Paulo e ter uma coluna no Diário do Grande ABC. Cresci ouvindo e me interessando por esse ambiente de escrita e gostando muito de contar e de ouvir histórias. Então, acho que foi uma escolha meio natural para mim. J&Cia/PJ – E desde o começo, a sementinha do jornalismo investigativo estava ali? Ou foi algo que você foi construindo ao longo da carreira? Mariama – Na verdade, eu achava que ia trabalhar com cultura, com música. Estudei música clássica quando era pequena. Meu sonho era trabalhar numa Gucci, em alguma revista do tipo. Até cheguei a fazer uma pósgraduação em jornalismo cultural porque queria muito trabalhar com música. Mas quando entrei na faculdade, tive que trabalhar logo cedo para pagar o curso. A vida vai acontecendo e você vai vendo que a coisa é mais difícil, percebi que era algo muito nichado, que certos mercados não são tão fáceis de acessar. E aí terminei tendo minhas primeiras experiências em assessoria de imprensa. Trabalhei muitos anos com isso, tanto que chegou um momento em que em não achava mais que iria trabalhar em jornal, em reportagem, eu já tinha meio que deixado esse sonho de lado, sabe? Trabalhei numa assessoria de imprensa em que a dona, Patrícia Raposo, gostava muito do que eu escrevia. Ela sempre dizia assim: “Esse release está muito bom, renderia uma bela reportagem”. Então, alguns anos depois, ela foi chamada para assumir a direção executiva da Folha de Pernambuco, e me convidou para trabalhar lá como repórter de economia.
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