Jornalistas&Cia 1538

Edição 1.538 - pág. 33 ANOS n Reproduzimos aqui mais uma história de Luiz Roberto de Souza Queiroz, o Bebeto, falecido em 17 de julho passado (ver J&Cia 1.522), que certamente foi o mais assíduo colaborador deste espaço. Tanto que ainda temos no estoque algumas que nos enviou e que vamos publicar de vez em quando em homenagem a ele. Como é o caso desta, enviada em 5 de junho passado. u Aproveitamos para pedir aos leitores e leitoras que enviem colaborações para este espaço, pois estão se esgotando as que temos. Luiz Roberto de Souza Queiroz Estadão/YouTube A noite em que “desvangelizei” os índios parecis Com os primeiros salários que recebi ainda como estagiário do Estadão, em 1963, comprei um Jeep 1957, bem rodado, peguei emprestada a Winchester calibre 22 de meu pai e, sozinho, resolvi ir em direção ao Norte, até o fim do Brasil. A viagem acabou rendendo uma série no Caderno de Turismo do jornal, De São Paulo até onde deu, mas o Jeep só aguentou até a aldeia do pajé pareci João Azumaré, em Mato Grosso. As “costelas de vaca” da estrada de terra onde só trafegava caminhão fizeram soltar o bujão de óleo do meu Jeep. O câmbio fundiu e, caixa de câmbio na mão, peguei carona num caminhão que levava gado. Após uma semana de lamaçal e pontes que eram só dois troncos sobre os igarapés, chegamos a Porto Velho. Fim da viagem, mas não da história. Na volta, com o câmbio reparado, parei de novo na aldeia onde ficara o Jeep, amarrei minha rede nos caibros de uma choça coletiva, enchi a cara com olnití, bebida feita com milho e fermentada com saliva, e acordei com a gritaria dos indiozinhos. Os parecis tinham aberto minha mochila e encontrado o surrado livro Rondônia – Antropologia etnográfica, de LIVROS n A tragédia da relação de uma mãe com o filho psicopata, desde o seu nascimento até a morte prematura, é retratada num doloroso exercício de catarse e purificação por Irene Vucovix em O Filho Perdido (Geração Editorial). Jnto ao drama e à dor, às contradições e ao desespero da narradora, o leitor acompanha a história de uma mãe que tenta desesperadamente salvar aquele que ama, enquanto guarda um segredo aterrador que ele só saberá no final. u “Não foi fácil escrever”, explicou a autora em artigo publicado no Blog do Fausto Macedo. “Foi muito sofrido, arrastado: avançava, parava, recomeçava, parava outra vez. Quase como desnudar-me em praça pública. Escrevi em primeira pessoa, como se estivesse conversando com ele, e de certa forma, estava, porque há tantos assuntos sobre os quais nunca falamos, tantas palavras nunca ditas, tantas feridas não curadas, tanto amor sufocado”. u Já disponível na Amazon, a obra terá um lançamento oficial neste sábado (15/11), a partir das 16h30, no Barouche da Vila Madalena (rua Medeiros de Albuquerque, 401), em São Paulo. Irene Vucovix retrata drama pessoal em O Filho Perdido

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