Jornalistas&Cia 1462

Edição 1.462 página 31 a crítica literária e de artes na revista A Águia, do Porto, órgão do movimento Renascença Portuguesa. Para O Jornal, de Lisboa, faz análise política polêmica, pondo-se, por exemplo, a atacar “a doença da disciplina”, que impediria os concidadãos de agirem sozinhos, dependendo dos outros para tudo. Põe-se a defender o ato da traição como uma “opção filosófica” tão legítima como a guerra. Ou a denunciar “a ilusão política das grandes manifestações populares”. Na Revista de Comércio e Contabilidade, o colunista examina a economia à luz da política, defende o liberalismo contra qualquer interferência ou monopólio do estado, e assusta o leitor póstero com uma “defesa e justificação” da ditadura implantada em Portugal em 1926. Nessa produção não-literária de Fernando Pessoa, o único texto conhecido em que ele se ocupa diretamente do jornalismo − um fragmento datilografado, sem data, batizado por seus exegetas de “argumento do jornalista” −, ele compara o efêmero do jornalismo ao duradouro da literatura. “O jornalismo, sendo literatura, dirige-se (...) ao homem imediato e ao dia que passa”, argumenta. “Tem a força direta das artes inferiores mas humanas, como o canto e a dança; tem a força do ambiente das artes visuais; tem a força mental da literatura, por de fato ser literatura. Como, porém, o seu fim não é senão ser literatura naquele dia, ou em poucos dias, ou, quando muito, numa breve época ou curta geração, vive perfeitamente conforme com os seus fins”. Sua conclusão é inquietante: “A religião e o jornalismo são as únicas forças verdadeiras. Quando se diz que o jornalismo é um sacerdócio, diz-se bem, mas o sentido não é o que se atribui à frase. O jornalismo é um sacerdócio porque tem a influência religiosa dum sacerdote; não é um sacerdócio no sentido moral, pois não há, nem pode haver, moral no jornalismo, que serve o momento que passa, em o qual não cabe, nem pode caber, moralidade”. Os coleguinhas terão apreciado especialmente essa parte do Pessoa jornalista. Seu destemor para a autocrítica e a provocação. Gostaram disso talvez, mas certamente da reportagem que fizemos, os jurados do Prêmio Esso de Jornalismo, o mais reputado do Brasil àquele tempo. Pelo trabalho deram a Imprensa o Prêmio de Informação Cultural de 1988 e ainda acrescentaram o de Fotografia, pela imagem impactante e até então inédita de um paciente terminal de Aids, registrado no leito de morte por Olívio Lamas. A foto fora recusada pelo jornal O Globo e nós a publicamos, em novo atestado de compromisso com o jornalismo e independência editorial. Agora carimbado pelo prêmio. Já a este escriba coube o prestígio de haver traçado o perfil jornalístico do centenário poeta, acrescentando um grão de novidade ao muito conhecido e celebrado dele. O abacaxi nos saiu magnífica sobremesa, para a iniciativa ousada que empreendemos em Imprensa. Para mim, uma vitória especialmente doce. A Revista Imprensa, a mais longeva do segmento, está ch egando aos seus 37 anos de vida, fundada que foi em 1987. E continua sob a direção do sócio-fundador Sinval de Itacarambi Leão. O Portal Imprensa é seu braço digital e online. Os ganhadores do Esso de 1988 Redação de Imprensa comemora o Esso. Priolli está sentado, ao centro, de camisa branca

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