Jornalistas&Cia 1462

Edição 1.462 página 21 n Na quinta-feira (16/5), morreu Cláudio Vieira, aos 70 anos. Ele fazia tratamento contra um câncer. O enterro ocorreu no dia seguinte (17/5) no cemitério São Francisco Xavier, no Caju. u Formado na Gama Filho, começou como estagiário, em 1972, dos jornais Correio da Manhã e Última Hora, na editoria de Polícia. Trabalhou na Rede Globo − TV aberta e GloboNews − e na rádio Globo. Em 1984, iniciou um longo período (28 anos) em O Dia, onde foi repórter especial, redator e subeditor. Assinou as colunas Romance Policial, com crônicas irreverentes, e Passarela do Samba. Como escritor, publicou os livros Maracanã, templo dos deuses brasileiros e A história do Brasil são outros 500. Atuou como colunista do site Carnavalesco. u Por cerca de 20 anos dedicou-se à comunicação da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba), tornando-se uma das referências jornalísticas no mundo do carnaval. Em 2000, fundou e dirigiu a revista Ensaio Geral, publicação produzida pela entidade e distribuída gratuitamente durante os eventos da Sapucaí. Era o jornalista responsável pela edição do portal oficial. Mais recentemente, trabalhou no podcast Só se for agora, do ex-presidente Jorge Perlingeiro, com um acervo de memórias de personalidades do Carnaval e suas histórias. Escreveu sinopses e enredos para as escolas de samba Portela, Imperatriz e União da Ilha. n Faleceu na madrugada de 17/5 o jornalista e apresentador José Jerônimo Sobrinho, o J. Sobrinho, aos 85 anos, em São Gonçalo, onde sempre trabalhou. Ele enfrentava problemas de saúde e deixou companheira e duas filhas. O corpo foi sepultado no cemitério Parque da Paz, no bairro Pacheco, em São Gonçalo. u Pernambucano de Palmares, chegou à cidade ainda na adolescência. Bacharel em Direito, ingressou no jornalismo em 1975, escrevendo sobre esportes no antigo semanário Panorama Gonçalense. Passou também por O Fluminense, Luta Democrática; rádios Fluminense, Bandeirantes, O Dia e Rádio Relógio Federal, entre outras emissoras. u Um dos principais incentivadores da implantação de rádios comunitárias no município, ícone da cultura gonçalense, era também artista plástico, com trabalhos em pintura. Rio de Janeiro n Washington Rodrigues, o Apolinho, morreu na noite de 15/5, aos 87 anos. Estava internado no Hospital Samaritano, na Barra da Tijuca, por um câncer agressivo no fígado, que ele tratava há dois anos. Deixou três filhos. O velório foi na sede do Flamengo, na Gávea, e o enterro, na tarde do mesmo dia, no cemitério São João Batista, em Botafogo. No dia seguinte (16/5), o prefeito Eduardo Paes publicou, em diário oficial, a mudança de nome da Vila Olímpica da Gamboa para Vila Olímpica Washington Rodrigues, o Apolinho. u Criador de bordões que extrapolaram o rádio e foram apropriados pela população, como “briga de cachorro grande” e “feliz como pinto no lixo”, morreu vendo na TV um jogo do Flamengo, como conta sua filha Patrícia Rodrigues: “Ele assistiu ao primeiro tempo, viu até o terceiro gol e então deu o último suspiro tranquilo e sereno com a festa linda que foi no Maracanã, com as luzes acesas e com a torcida. Sei que fez ele chegar mais feliz no céu, ele morreu feliz com o Flamengo”. u Carioca do Engenho Novo, foi bancário na juventude. Amante do futebol desde cedo, começou a carreira em 1962 na Rádio Guanabara, atual Rádio Bandeirantes, no programa Beque Parado, sobre futebol de salão. Trabalhou em todas as grandes emissoras de rádio da cidade, entre elas Globo e Nacional, e alguns canais de televisão. u O apelido Apolinho surgiu quando ainda trabalhava como repórter esportivo, na rádio Globo. A emissora comprou, em 1970, equipamentos de comunicação dos astronautas na missão Apollo 11, que levou o homem à lua pela primeira vez. Entre esses, estava o microfone sem fio usado por ele. Locutores como Celso Garcia e Waldir Amaral diziam: “Lá vai o Washington Rodrigues com o seu Apolinho”. u Mas foi na rádio Tupi que consolidou a carreira, com o programa Show do Apolinho – no ar desde 1999, de segunda a sexta-feira, líder de audiência no segmento por 25 anos –, em que esteve até o final de abril deste ano, quando se afastou por questão de saúde. Torcedor do Flamengo, mas respeitado por todas as torcidas pela isenção nas transmissões, foi técnico do time na temporada do centenário do clube, em 1995, e voltou depois, em 1998, como diretor de Futebol. u Um dos principais repórteres da história do rádio, era também comentarista titular da equipe de esportes da Tupi e tinha a coluna Geraldinos e Arquibaldos no jornal Meia Hora, de conteúdo leve e bem-humorado. Como radialista, cobriu 11 Copas do Mundo, a primeira delas em 1970, quando o Brasil se sagrou tricampeão. Participou de inúmeras transmissões esportivas e mesas-redondas, e formou dupla com José Carlos Araújo, não apenas na Tupi, mas em programas de TV na CNT nos anos 1990. Ganhou todos os prêmios existentes até agora para o jornalismo esportivo. u Cristina Carvalho, editora de J&Cia no Rio, lembra de quando a newslettter fez um especial sobre jornalismo esportivo, que entrevistou os principais personagens do métier, entre eles Washington Rodrigues. Em sua modéstia, assim ele a atendeu: “Já estou velho. Obrigado, querida, por se lembrar de mim”. Quem haveria de esquecer Apolinho? O Rio de luto Apolinho, feliz como pinto no lixo O samba perde seu porta-voz Cláudio Vieira Washington Rodrigues São Gonçalo despede-se de uma figura emblemática J. Sobrinho

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