Edição 1.460 página 36 Por Assis Ângelo PRECIO SIDADES do Acervo ASSIS ÂNGELO De séculos passados é também a história de Marília de Dirceu. Dirceu, no caso, é o poeta Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810). Marília era Maria, uma jovem de 17 anos que viu em Antônio o seu amor eterno. E vice-versa. O poeta, que tinha 40 anos de idade na época, participou da Inconfidência Mineira. Entre uma reunião e outra com seus colegas de trama Gonzaga escrevia uma pérola poética como declaração de amor a sua Maria. É um poema enorme. Nele entram deuses e deusas como Vênus e o seu filho Cupido, que apronta como aprontou na Ilha dos Amores (Os Lusíadas). Essa obra foi publicada em muitos idiomas, entre os quais grego, francês, alemão, russo. A primeira edição saiu em Portugal em 1792, apenas com as iniciais do autor, T.A.G. Uma das partes mais bonitas de Marília de Dirceu se acha logo nos primeiros versos do poema: …Os seus compridos cabelos, Que sobre as costas ondeiam, São que os de Apolo mais belos; Mas de loura cor não são. Têm a cor da negra noite; E com o branco do rosto Fazem, Marília, um composto Da mais formosa união. Tem redonda, e lisa testa, Arqueadas sobrancelhas; A voz meiga, a vista honesta, E seus olhos são uns sóis. Aqui vence Amor ao Céu, Que no dia luminoso O Céu tem um Sol formoso, E o travesso Amor tem dois. Na sua face mimosa, Marília, estão misturadas Purpúreas folhas de rosa, Brancas folhas de jasmim. Dos rubins mais preciosos Os seus beiços são formados; Os seus dentes delicados São pedaços de marfim… Tomás Antônio Gonzaga foi violentamente separado da amada pelo governo do seu tempo, representado pelo Visconde de Barbacena (Felisberto Caldeira Brant Pontes; 1802-1842). Licenciosidade na cultura popular (LVIII) O poeta morreu na África em 1844, depois de se casar e ter dois filhos com a filha de um rico comerciante de escravos. Quanto a Maria, cujo o nome completo era Maria Doroteia Joaquina de Seixas, há várias contradições. Casou-se ou não? Teve filhos ou não? Findou num convento de freiras? O famoso poema de Gonzaga é formado por 71 liras e 14 sonetos. Liras são pequenos poemas e não apenas o nome de um antigo instrumento de origem grega. Histórias loucas de paixão ocorrem desde os primeiros tempos, em que os primeiros humanos ganharam forma. Em todas as línguas. No Brasil também há histórias incríveis envolvendo homens, mulheres e todos os sexos. Dom João VI foi quem foi, com amantes. O filho de Dom João, Pedro I, foi além do pai, sexualmente falando. Casou-se e teve sei lá quantas amantes! Historiadores dão conta de que Pedro I sofria de priapismo, coitado! Terrível. O priapismo e a safadeza que herdou do pai o levaram a pular cerca igual um bode. Dizem seus biógrafos que pôs no mundo 50 rebentos, no mínimo. O filho do primeiro Pedro, o Segundo, também não se satisfazia com uma mulher só. Sua mulher, Teresa, foi arranjada por correspondência e quando a viu, desesperou-se. Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias não era plasticamente uma mulher bonita. Ele esperneou quando a puseram no colo, dizendo que fora traído. E a história segue por aí. Mas voltemos a Dumas. Machado de Assis escreveu texto crítico sobre a bela história de Dumas, publicado na revista O Espelho, RJ, edição de 8 de janeiro de 1860: A Dama das Camélias é o drama realmente filosófico, verdadeiramente piedoso; resolve uma questão social, ao mesmo passo que se revela uma magnífica obra d’arte. É tocante aquela figura de Margarida, purificada como Eva, pelo arrependimento, cheia de amor e de piedade, martirizada pela doença, prostrada aos pés da sociedade, como Madalena aos pés do Cristo, mas que a sociedade repele e condena. Não custa lembrar que o pai de Alexandre Dumas foi também um grande escritor, autor dos clássicos juvenis Os Três Mosqueteiros e O Conde de Monte Cristo. Também é bom que se lembre que foi Alexandre, pai, quem inaugurou o dito romance de folhetim no Brasil, em 1838, sob o título Capitão Paulo. Mas há controvérsias. O jornalista e historiador José Ramos Tinhorão, no seu livro Os Romances em Folhetins no Brasil, diz à pág. 36 que antes de 1838, em Recife, já se publicava esse gênero literário: “...começaria a ser publicado a 29 de junho de 1837 o periódico Relator de Novelas, publicação de pequeno formato destinada ‘ao entretenimento de todas aquelas pessoas apaixonadas por ler novelas, com especialidade o belo sexo, de quem espera toda a proteção’”. Os textos publicados nesse periódico não traziam identificação de autor. Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora Tomás Antônio Gonzaga Alexandre Dumas, pai Google Art Project Contatos pelos [email protected], http://assisangelo.blogspot.com, 11-3661-4561 e 11-98549-0333 Pág.1
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